sábado, 27 de junho de 2015

# Sobre a causa e as lutas


Desculpem me alongar... mas vi alguns argumentos que me soaram tortos.

Coloriram fotos de crianças desnutridas na Africa e legendaram assim: "Quando a causa for essa, me chamem que eu participo". Poxa, o que posso dizer quanto ao que sinto ao ver isso?

Queridos, compreendo esse argumento. Mas ele é muito superficial. E, me parece ser, um tentativa - medrosa - de que as coisas não se movam de uma maneira diferente de como se movem hoje.

Cada um, sem dúvidas, tem o direito de se filiar a causa que quiser. Mas, infelizmente, uma das estratégias mais utilizadas para desqualificar a luta de algumas minorias é a hierarquização das causas (quando se diz: "essa causa é melhor ou mais importante do que a outra"). Ou ainda, a desvalorização das causas quando tentam inverter a relação entre oprimidos e opressores (dizendo: "gays são heterofóbicos", "negros são tão racistas quanto os brancos", "as feministas são anti-homens", [onde estou dizem: "surdos são puristas e excluem os ouvinte se fechando em guetos").

Alertar para causas urgentes é realmente muito importante. Trazer visibilidade para a existência e urgência do direito a vida de cada pessoa por de traz das causas é tão importante. E, esse sim, é o objetivo central. Mas uma causa não deve esvaziar a luta e a causa dos outros para se fazer mais forte. É como se disse que o direito da vida desses é mais importante do que daqueles.

Vejam, essa é a lógica do empoderamento por opressão. Expandir-se não deve ser mais uma conquista construída com base na diminuição dos outros.

Isso de compreendermos as lutas como questões de mesmo valor talvez seja um estágio para o qual todas essas lutas um dia começaram a caminhar. Pois - por mais que pareçam contraditórias entre si - todas falam do direito a gerência e construção da própria vida. Todas as causa levam - ou deveriam levar - as pessoas a compreenderem que a única superação válida é aquele em que superamos a nós mesmos (e não só de modelos exteriores).