Durante um longo tempo riram juntos.
Até que um se escorou no corpo do outro.
Até que os olhares se desencontraram.
Até que rir se tornou um motivo em si
- aparentemente interminável.
Gargalharam até perder o ar e emudeceram.
Respiraram junto assim como a pouco riam,
sincronizados, pouco a pouco, foram desindo...
calaram-se, um depois o outro; ofegantes e
certos de que nada precisava ser dito.
Perceberam-se, então, habitados no tempo com
uma qualidade de integridade tal como poucas
vezes estiveram em outros momentos de suas vidas.
Ainda com os olhos lacrimejados, se aquietaram,
e, felizes, perceberam o próprio tempo caminhando,
lentamente, até se ausentar do comodo deixando-os a sós
- estavam, então, suspensos no presente.
Desabidos e desimportados com a duração daquele instante,
ainda escorados um no outro - abraçados -, puderam,
então, contemplar a eternidade que compuseram:
em silêncio
continuaram ouvindo a memória da sensação
de inda rirem, rirem e rirem - juntos.
Rio de Janeiro, 18 de junho de 2016.