O menino sem nome se vestia de retalhos do tempo.
"Um pouco mais de dança me faria uma pessoa melhor".
- ele disse enquanto se via imóvel na repetição dos dias.
Havia tanto amor e tanta dor.
Havia tanta transcendência que lhe faltava matéria,
e seu corpo se furtava da obrigação de lhe garantir presença.
Ele voava, percebeu de repente, regando os jardins
embaixo dos seus olhos - raiz era uma coisa que
lhe provocava inveja das árvores.
Rio de Janeiro, 19 de junho de 2016.