segunda-feira, 26 de maio de 2014
#Sete considerações sobre o conteúdo inexistente ®
A vida me excessiva naquilo que
não sei praticá-la com destreza.
No horizonte, ainda quero ver incandescer,
a esperança e algum poder de autogerência.
Iluminam-me as formas de um conteúdo inexistente;
nisso me sacralizam ao posto de incontingente.
Que com o passar dos próximos anos
eu me desfaça do rigor onírico dos desejos
que temem se concluir em mim nas formas
de uma realidade mais plena de despretensão
- que a pausa se cale em canto.
Necessita-se ser mais desejo realizado,
mais ação, mais canal de uma vitalidade
que me atravessa e, atualmente, se retém
naquilo que tanto temo me (en)tornar.
Aprender de si faz dor de consequência.
Pergunto-me:
Há verdadeiramente algum esplendor
por detrás das costas do divino - ou simplesmente
nos bastam ver suas assas abertas?
# Dançar ®
Algo em mim precisa ser a dança
despretensiosa daquele que apaga
a luz do palco para começar a dançar.
O escuro me vira os olhos pra dentro, e ai vejo até
aquilo que tinha escondido pra não lembrar mais.
Tenho frequência em ter os olhos virados; a luz
interior me machuca menos a inconsciência.
Enfiei os olhos no escuro e vi a mim mesmo
perdido no tempero do tempo;
entre um instante e outro meu corpo
se refazia duvidoso de razões.
Farolar minha própria vida, e assim desmentir
aqueles que creem na impossibilidade de direcionar,
com nossos próprios corpos, aquilo que reluzirmos.
sábado, 17 de maio de 2014
# Da força dessabida ®
Será que minha iluminação é loucura?
Será que a vida não me habita como eu imaginava,
não estar guardada, recolhida, no meu interior?
De dor em dor sorrio a cada intervalo.
E a vida se faz tão pesada que me é difícil de ser.
Como é possível ser sem se esquecer de quem se é?
Quando penso que sou, logo me desfaço.
As crianças bem me olham nas ruas e eu as pergunto:
"O que vêem em mim? Qual a minha luz?"
Acho que é preciso ser alguma coisa que que ainda
não sei; ou saber-se alguma coisa que ainda não sei que sou.
Não há mais nenhum outros na sala,
não há outros no alcance das vistas.
É necessário aproveitar pra ser sozinho, sem público.
Que inteligência é essa que me esvazia?
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