terça-feira, 15 de novembro de 2016
quarta-feira, 9 de novembro de 2016
# Reconjuntura
isso que chamam de
cegueira de amor
é na verdade
reconjuntura do olhar.
Florianópolis, 9 de novembro de 2016.
cegueira de amor
é na verdade
reconjuntura do olhar.
Florianópolis, 9 de novembro de 2016.
domingo, 16 de outubro de 2016
# Contemplar
Já desenhei e escrevei
por muita gente que amei.
Agora sinto só a necessidade
de viver e contemplar - isoladamente -
meu objeto de amor.
Florianópolis, 16 de outubro de 2016
domingo, 19 de junho de 2016
# Um pequeno retalho
O menino sem nome se vestia de retalhos do tempo.
"Um pouco mais de dança me faria uma pessoa melhor".
- ele disse enquanto se via imóvel na repetição dos dias.
Havia tanto amor e tanta dor.
Havia tanta transcendência que lhe faltava matéria,
e seu corpo se furtava da obrigação de lhe garantir presença.
Ele voava, percebeu de repente, regando os jardins
embaixo dos seus olhos - raiz era uma coisa que
lhe provocava inveja das árvores.
Rio de Janeiro, 19 de junho de 2016.
terça-feira, 17 de maio de 2016
# Sorrir junto
Durante um longo tempo riram juntos.
Até que um se escorou no corpo do outro.
Até que os olhares se desencontraram.
Até que rir se tornou um motivo em si
- aparentemente interminável.
Gargalharam até perder o ar e emudeceram.
Respiraram junto assim como a pouco riam,
sincronizados, pouco a pouco, foram desindo...
calaram-se, um depois o outro; ofegantes e
certos de que nada precisava ser dito.
Perceberam-se, então, habitados no tempo com
uma qualidade de integridade tal como poucas
vezes estiveram em outros momentos de suas vidas.
Ainda com os olhos lacrimejados, se aquietaram,
e, felizes, perceberam o próprio tempo caminhando,
lentamente, até se ausentar do comodo deixando-os a sós
- estavam, então, suspensos no presente.
Desabidos e desimportados com a duração daquele instante,
ainda escorados um no outro - abraçados -, puderam,
então, contemplar a eternidade que compuseram:
em silêncio
continuaram ouvindo a memória da sensação
de inda rirem, rirem e rirem - juntos.
Rio de Janeiro, 18 de junho de 2016.
domingo, 8 de maio de 2016
# O corpo das memórias
A memória não precisa de narrativa coerente, precisa de corpo.
Narrativas fazem consciência, luz de pensamento, lastros de cultura.
Mas
pensamento também é sombra, e é muito mais não-consciente.
Como um antigo
habitante desconhecido, mas sempre presente,
a memória habita o corpo na
maneira como o é.
Narrativas são efeitos postos como causa.
Na origem, na
gerência e na contenção de toda memória,
a vida está no corpo. Não há memória
desencarnada.
Narrativa é ficção e com tal é potência.
Memória é afeto e como
tal só pode ser corpo.
A nos é muito difícil ver, porque o corpo não faz
distinção;
ele é na medida em que está sendo muitas coisas
ao mesmo tempo e o
tempo todo
– sendo nele inclusive memória.
Rio de Janeiro, 08 de maio de 2016.
terça-feira, 26 de abril de 2016
# Objeto de desejo
Quando se apaixona muitas vezes o amor nada
mais tem a ver com os preconceitos e expectativas
que preestabelecem critérios de aparecia.
Amar se torna, então, algo em si.
A luminosidade do primeiro fogo a tudo embeleza.
Mas quando esse fogo se apaga leva parte de
sua força embelezadora consigo, se esvanece
tonando toda beleza inicial relativa.
Olhamos, olhamos e insistimos em olhar,
mas não está mais ali quem tanto nos tirava de nós.
Vemos e continuamos ali, pés no chão - os mesmos.
Esse é o instante exato no qual a beleza de
quem nos acompanha deve ser reaurorizada.
A forção do amor maduro tem mais a ver
com a des-cisão que atualiza a juntura
do que com a busca de um novo "mesmo" amor.
Descobrimos então que não é o nosso amor pelo
outro talvez o que faz a beleza existir mesmo depois
do fim da primeira paixão, mas sim a maneira
como nos percebemos quando vemos que o outro
ainda nos ama mesmo sem luminosidade, mesmo
sem fogo aparente que me faça mais belo.
Pra mim, que já amei muita gente, lugares e ideias,
encontrar uma forma pura de amor teve a ver
com de repente me perceber sendo amado
- sem precisar pedir, insistir ou luta pra isso.
Sendo amado em meio as sombras de uma paixão
que já havia partido - apagado, amadurecido em
temporalidades dessas que os relógios não medem.
Somos impelidos a manter relacionamentos pelo
quanto demonstramos continuarmos amando alguém.
Mas somos também esquecido que o único motivo
pra amar alguém é se saber amado por essa pessoa.
O amor tem mais a ver com uma beleza condicional.
Uma beleza que não é atribuída ao objeto que se ama
antes que se perceba sendo amado por ele.
Rio de Janeiro, 27 de abril de 2016.
# Um preciosismo desmedido
Enquanto você dormia, eu te aprendia
Na forma pura do acontecimento sensível.
Enquanto você dormia, eu tive tempo de
Amadurecer meu amor pela admiração
que fiz você caber em mim
- tudo isso enquanto você dormia.
Quatorze horas de sono leve vivendo o "entre"...
O entre de uma grande janela entreaberta
O entre a estrada e o palácio,
O entre uma cama e uma árvore,
O entre todos os seus travesseiros mofados
- cada qual com um nome próprio -,
o entre
meu corpo e o seu.
Na primeira noite seu corpo suado e cheio
da poeira trazidas de um passado no sul.
Na segunda noite um corpo recém chegado,
banhado, aparentemente indiferente e nu
- me tateando com olhos entre abertos.
Tantas vezes eu dormi com você
Enquanto você dormia.
Quando acordamos eu já te amava mais
Do que você podia entender o motivo.
Daí começou seu jogo:
me fez ausência, silêncio e indiferença.
Ateou seu fogo até me fazer duvidar.
"- Isso tudo é um teste!" - você disse.
Minhas escolhas eram versadas
para parecerem decisões suas
- um beliscam em massagem, uma
reclamação em preciosismo desmedido,
um convite pra dormirmos juntos em
prova da minha falta de compreensão.
Não dormimos mais juntos.
E eu sai achando que tinha errado.
Achando que eu era "ansioso demais",
"alguém que não sabe ouvir não".
Mas hoje me parece mais claro:
eu dormi com você enquanto você dormia.
E quando achei que você estava acordado
você ainda dormia...
A dor se foi quando eu percebi que
Era eu quem sempre esteve acordado.
Rio de Janeiro, 10 de abril de 2016.
terça-feira, 19 de abril de 2016
# Nenhum motivo aparente
Inspirar-se fundo...
expressar-se suavemente...
dar o primeiro passo,
o primeiro gesto,
o segundo, o terceiro...
o segundo, o terceiro...
sentir o vento acariciar o corpo como quem
se move entre finos lençóis pendurados em
um mar de varais ao vento.
Saudades da dança
sem nenhum motivo aparente.
Assim, sem pré-existências...
ser autodeterminante!
ser autodeterminante!
Rio de Janeiro, 19 de abril de 2016.
sábado, 9 de abril de 2016
#Garotas Mágicas (ou Igōru-kun)
A vida era corrida e suas formas simples
A descrença já havia enraizado como forma de autoproteção
A vida era o que era: assim
– até o universo desquerer a continuidade.
De repente um sorriso luminoso em meio a bexigas azuis
“Sorry not sorry”, erguia-se um emblema,
Barba descontinuada, cabelos bagunçados...
Seus olhos maravilhosos e cheios de profundidade.
Ohayou Gozaimasu!
Disseram: A felicidade pode vir com nome e sobrenome!
Achei bobagem; até você chegar na forma de um sorriso.
Eu te aviso: "Vou falar uma parada bem nerd, hein!"
Você responde: "Gosto assim, vamos lá!"
Um rosto luminoso tal qual ainda não tinha visto.
Eu te conto o meu melhor saber, dito da forma mais bonita
E você continua ali – sua atenção me ouvindo falar
Sobre minhas verdades foi meu primeiro amor por você.
Konnichiwa!
Um abraço despretensioso, uma cabeça no peito
Meu olhar para cima e um leve e confortável primeiro beijo.
Perdi a vergonha de ser kitsch do seu lado.
Tomei você enquanto você tomava chá de maçã,
Quis andar de mãos dadas – barbado com barbado, gordos.
Quis leves beijos sem motivo e longos afagos de despedida.
Você me levou a vergonha de me achar inapropriado
Colocando no lugar o conforto da sua presença,
A impressão da memorias do seu corpo no meu,
Sua mão pesada na minha nuca e mais pimenta no macarrão.
Konbanwa! – ou melhor: Oyasuminasai!
Uma promessa de reencontro, um compromisso firmado
A espera do dia de te rever, um vem e vai de expectativas
Às vezes querendo muito e em outras querendo ser o mais
cauteloso possível na expansão das vontades
– para não se machucar caindo por correr demais.
cauteloso possível na expansão das vontades
– para não se machucar caindo por correr demais.
Te buscar, te encontrar, te rever – um sorriso com aceno de mãos.
Seu andar engraçado, seu olhar mais uma vez aceso e em mim.
Seu andar engraçado, seu olhar mais uma vez aceso e em mim.
Sem saber ao certo se devo te beijar ou não, um abraço discreto.
Um reencontro, um bom almoço, um bom papo
Um quarto escuro, silhuetas e canções de abertura de cartoon.
Uma madrugada de descobertas por meio de gestos sutis.
Um amanhecer compartilhado, mais investigações táteis sobre o
instante presente, sobre a presença de se encaixar nas brechas do tempo,
sobre o presente da presença um do outro.
instante presente, sobre a presença de se encaixar nas brechas do tempo,
sobre o presente da presença um do outro.
O abandono de qualquer pontualidade se justificou em si.
A conquista do corpo do outro, da sua própria entrega e dos limites
ultrapassados.
Tudo se explicando em si, sem necessidade alguma de apêndices...
Sem o preciosismo do
medo de poder não ter mais isso amanhã.
Mahō shōjo wa sekai o
tasukemashita!
E você está ali sozinho, compondo toda multidão de muitos eus
E de repente alguém está também, instaura-se uma dualidão
Numa lógica em que o outro não é a outra metade perdida
Mas o canal perfeito de nossa própria expansão.
Depois de você não precisei mais ter medo de virar semente de rancor.
Desde que você chegou minha jóia da alma brilha mais forte.
Depois de você não precisei mais ter medo de virar semente de rancor.
Desde que você chegou minha jóia da alma brilha mais forte.
Rio de Janeiro, 09 de março de 2016.
sábado, 13 de fevereiro de 2016
#Justas-posições
O ideal está aí, posto.
Não há nenhuma qualidade nele
mesmo até que o ponhamos ali -
naquela que perece ser a mais
justa posição para colocá-lo.
Um ideal não tem em si set bom ou mal,
é o lugar do tempo que habitamos quando
o conjuramos que faz dele algo preenchido
de sentido - seja para expansão ou para
o recolhimento da vida.
Se somos jovens um ideal pode servir
de alavanca para superação de si.
Enquanto na vida adulta o mesmo
ideal possa parecer imaturo e despropositado.
Não há no ideal coisa que o acuse... Mas
há nas pessoas o que lhes faz seu
próprio bem ou mal... A vida!
Tal como potência: Sem fim nem começo.
Rio de Janeiro, 13 de fevereiro de 2016.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
#Nem começo nem fim
O começo e o fim são imagens desgastadas
de um tempo que só vemos a parte que
inclui nossas vidas e desejos.
Não há começo posto no começo nem fim
que interrompa a continuidade da vida -
compreendida como força.
Você olha pra trás e vê uma linha,
pra frente e vê outra.
Você chama isso de fim e de começo,
mas é o horizonte.
E se há alguma força que possa produzir
começos e fins, ele está ali no meio - e é você.
Rio de Janeiro, 11 de fevereiro de 2016.
domingo, 24 de janeiro de 2016
# Matheus
Fica muito estranho se eu dissesse que acordei pensando em você?
Que, mesmo sabendo que hoje não seria possível,
desejei abrir os olhos e ver você aqui do meu lado,
deitado na cama e embaixo de uma mesma colcha.
Que eu queria te ver com a cara imprimida das geografias do travesseiro.
Que queria ver a luz da janela passando pelas persianas e iluminando
seus cabelos, sua pele, sua barba - separando sutilmente
os pelos negros dos ruivos.
Eu, então, sorri bem silenciosamente para não estragar
em nada a luminosidade dessa paisagem.
Fica muito estranho se eu dissesse que eu queria que você fosse
a primeira coisa que a pontas dos meus dedos tocassem pela manhã?
Que eu queria, ainda de olhos fechados, tatear a cama encontrar
seu corpo quente (que não sente frio e nem se queima) aqui na cama.
Que eu queria te puxar para perto e te encaixar numa conchinha perfeita.
Que desejava uma das minhas mãos envolta da sua cintura,
minha boca respirando na sua nuca, meu quadril encaixado no seu,
minhas pernas trançadas com as suas - daquele jeito que o Chico catava.
Que eu desejava, com minha outra mão livre, acomodar esse braço sobre você
eu lhe fazendo um suave cafuné como quem acaricia seus sonhos;
tal o vento bagunças as folhas daquela árvores do lado de fora da sua janela.
Fica estranho se eu dissesse que a imagem inaugural do meu dia
foi a lembrança sensível que eu fiz de você?
Que mesmo sabendo que você não estaria aqui,
eu resolvi que deveria continuar de olhos fechados para
me imaginar vivendo cada uma essas coisas com você?
Fica estranho querer, um, dois, três e alguns mil dias viver tudo isso?
Acho que acada dia minha imagem de você se clarificaria
em um você mais verdadeiro naquilo que me repeti em te amar pelos meus gestos.
Fica muito estranho dizer que de forma alguma me parece caber
outra pessoa nesses acontecimentos que não seja você?
Fica estranho se eu dissesse que talvez minha maior falta
tenha sido de sentir o gosto da sua boca agora de manhã?
Encabulado te peço: - Desculpe-me por ser tão estranho.
Rio de Janeiro, 24 de janeiro de 2016.
terça-feira, 12 de janeiro de 2016
#Transcoporificado ®
O movimento lhe contia e ele
(aquele dado por protetor e poderoso)
contia o amor,
porque é a única coisa que não sobrevive
fora do corpo dos Homens
- é aquilo que o movimento não carrega por si só.
Amor fora do corpo é poesia e no corpo é amor
- uma eternidade fulgaz que vive debaixo da pele.
Sua expressão é gesto, gozo, suor e palavra.
Mesmo invisível é aquilo que tudo domina
(seja por ausência ou seja por seu excesso de presença).
Rio de Janeiro, 12 de janeiro de 2016.
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