Não vou alimentar a ignorância alheia;
de desconhecimento já basta o
meu próprio dessaber.
Olho bem e, mesmo sem ver de direita, sei:
"_ Essa ignorância é de outro e não minha,
esse é o seu desconhecimento de si
e não me cabe medi-lo - por favor,
"_ Essa ignorância é de outro e não minha,
esse é o seu desconhecimento de si
e não me cabe medi-lo - por favor,
não me peça essa parte; ela só cabe em mim."
Olho bem e, mesmo em meio a tanta luz, sei:
"_ A vida dele é pesada e lhe parece impossível
de levar; ele desconhece a leveza do dessaber,
o sabor da ignorância consentida."
Olho bem e, mesmo em meio a tanta luz, sei:
"_ A vida dele é pesada e lhe parece impossível
de levar; ele desconhece a leveza do dessaber,
o sabor da ignorância consentida."
Ele nunca reparou que o brasão da Compaixão, erguido, diz:
"Se vir, leve-se, pois o peso já se foi na deslembrança".
Olho bem e, cultivado de tanta solidão, sei:
"_ Faz-se necessário ser leve para alcançar
a clareza e a generosidade que só é possível
aos egoístas que não erguem sobre si
o o chamado para redenção dos povos
- pois sabe das responsabilidades que lhe
foi dada sobre seu próprio Universo."
Olho bem e, mesmo no escuro, vejo
minhas mãos dizerem o que a boca engasgou:
"_ Eu vou viver as minhas luzes e minhas sombras
com clareza de quem sou, de quem quero ser e de
quem estou sendo! Sem arrependimento, sem culpa;
não há mais espaço para o plano imposto!
Não há mais espaço para todo trabalho que me
dissera ser a paga do meu pecado original."
Ofenderam-se quando lhes perguntei:
"_ Mas como original se eu não estava na origem?
Como se a origem do primeiro homem não foi
onde eu comecei? Comecei em mim mesmo, e foi
Ofenderam-se quando lhes perguntei:
"_ Mas como original se eu não estava na origem?
Como se a origem do primeiro homem não foi
onde eu comecei? Comecei em mim mesmo, e foi
ontem quando soube que estava vivo e que era eu
a única responsabilidade de mim mesmo!
Olho bem e, mesmo sem vê-lo, sei:
"_ Essa ignorância é de outro e não minha,
esse é o seu desconhecimento de si
e não me cabe medi-lo - por favor,
não me peça para ser a única coisa
que não sei ser. Não me ofenda!"
Aconselharam-me calar. Mas eu disse:
"_ Não tenho mais medo! E rogo ao vento,
o mesmo pedido do Zoroastro:
'que venha a mim todo acaso'!"
Completei ainda, mesmo sabendo não ser
a única responsabilidade de mim mesmo!
Olho bem e, mesmo sem vê-lo, sei:
"_ Essa ignorância é de outro e não minha,
esse é o seu desconhecimento de si
e não me cabe medi-lo - por favor,
não me peça para ser a única coisa
que não sei ser. Não me ofenda!"
Aconselharam-me calar. Mas eu disse:
"_ Não tenho mais medo! E rogo ao vento,
o mesmo pedido do Zoroastro:
'que venha a mim todo acaso'!"
Completei ainda, mesmo sabendo não ser
possível terminar:
"_ Não vou mais alimentar a ignorância alheia.
Pois de obscuridades e incandescências
já me basta o que me reluz e escurece.
Pois de obscuridades e incandescências
já me basta o que me reluz e escurece.
Já me baste em mim a balança que em nada
me enobrece; mesmo que me faça vivo."
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