sexta-feira, 20 de novembro de 2015

# Estrelas com asas



Tem som de amanhecer a lembrança da sua voz
Tem luz de flor as lembranças dos seus olhos
Tem cheiro de cantiga as lembranças dos seus toques
Mas são só lembranças, cada vez mais,vagas e distantes

Sua tristeza se confundiu com seu corpo e decidiu por ele parar seus pensamentos
Fez furos nas suas ideias e confundiu a ordem das suas palavras

O amor que você tinha ancorado naquele homem ainda estava ali, mas
Você, acho, que nunca percebeu que ele era barco e não cas;
Talvez você soubesse, mas evitava de falar pra não virar verdade.

Você queria parar em alguém, mas todos paravam pra se alimentar em você -
tanto seus filhos como aquele que em você os colocou.

Todos diziam: "Você é madura e o escolheu."
Mas eles só entendiam a escolha como concessão; não o sabia como visão.
Como estratégia esperançosa de ver realizado o sonho sobre o corpo do outro; afinal só aquilo que não é pode vir a ser.

Sete anos desde que você virou uma memória escorregadia; às vezes choro hoje pelo que não soube lamentar na época.

Seria hoje um dia de parabéns
- se você estivesse aqui de corpo físico.
Mas pode ser dia de parabéns
Mesmo que você ainda seja só meu corpo de memória.

Sobre a vida e a morte da minha mãe:
estrelas com essas me ensinam até hoje sobre ausência.

- Boa noite, mãe!
- Boa noite!
- Dorme com Deus.
- Você também!
- Amem!


Rio de Janeiro, 20 de novembro de 2015.

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