A memória não precisa de narrativa coerente, precisa de corpo.
Narrativas fazem consciência, luz de pensamento, lastros de cultura.
Mas
pensamento também é sombra, e é muito mais não-consciente.
Como um antigo
habitante desconhecido, mas sempre presente,
a memória habita o corpo na
maneira como o é.
Narrativas são efeitos postos como causa.
Na origem, na
gerência e na contenção de toda memória,
a vida está no corpo. Não há memória
desencarnada.
Narrativa é ficção e com tal é potência.
Memória é afeto e como
tal só pode ser corpo.
A nos é muito difícil ver, porque o corpo não faz
distinção;
ele é na medida em que está sendo muitas coisas
ao mesmo tempo e o
tempo todo
– sendo nele inclusive memória.
Rio de Janeiro, 08 de maio de 2016.
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