domingo, 8 de maio de 2016

# O corpo das memórias


A memória não precisa de narrativa coerente, precisa de corpo.

Narrativas fazem consciência, luz de pensamento, lastros de cultura.
Mas pensamento também é sombra, e é muito mais não-consciente.
Como um antigo habitante desconhecido, mas sempre presente,
a memória habita o corpo na maneira como o é.

Narrativas são efeitos postos como causa.
Na origem, na gerência e na contenção de toda memória,
a vida está no corpo. Não há memória desencarnada.

Narrativa é ficção e com tal é potência.
Memória é afeto e como tal só pode ser corpo.
A nos é muito difícil ver, porque o corpo não faz distinção;
ele é na medida em que está sendo muitas coisas 
ao mesmo tempo e o tempo todo
                                – sendo nele inclusive memória.


Rio de Janeiro, 08 de maio de 2016.

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