terça-feira, 17 de maio de 2016

# Sorrir junto



Durante um longo tempo riram juntos.
Até que um se escorou no corpo do outro.
Até que os olhares se desencontraram.
Até que rir se tornou um motivo em si
                   - aparentemente interminável.

Gargalharam até perder o ar e emudeceram.

Respiraram junto assim como a pouco riam,
sincronizados, pouco a pouco, foram desindo...
calaram-se, um depois o outro; ofegantes e
              certos de que nada precisava ser dito.

Perceberam-se, então, habitados no tempo com
uma qualidade de integridade tal como poucas
vezes estiveram em outros momentos de suas vidas.

Ainda com os olhos lacrimejados, se aquietaram,
e, felizes, perceberam o próprio tempo caminhando,
lentamente, até se ausentar do comodo deixando-os a sós
                 - estavam, então, suspensos no presente.

Desabidos e desimportados com a duração daquele instante,
ainda escorados um no outro - abraçados -, puderam,
então, contemplar a eternidade que compuseram:

                                                em silêncio
continuaram ouvindo a memória da sensação
de inda rirem, rirem e rirem - juntos.



Rio de Janeiro, 18 de junho de 2016.

Nenhum comentário:

Postar um comentário