Na Casa Amarela das mãos falantes tem escadas que servem pra subir ou descer, depende do seu objetivo - das suas necessidades. A Casa Amarela das Laranjeiras já foi de outras cores, visíveis e invisíveis. As necessidades que orientaram a organização - a paleta de cores e lógicas - dessa casa nem sempre foi a de seus moradores, nem sempre foi propriedade daqueles que levam o nome em sua fachada.
Na percepção daqueles que não ouvem com os olhos - ou que não se deslocam para, por empatia, viver e aprender a entender o mundo com lógicas de língua gestual - a casa é apenas Amarela. Eles veem e entendem a existência por lógicas seletivas de elementos da fachada. Nunca habitaram o interior dessa casa. Nunca chegaram ao quartos secretos dessa morada; nunca atravessaram pro outro lado do espelho - se perdiam sempre na projeção de suas suas próprias imagens.
Contudo, aos olhos nos corpos que falam com as mãos a casa sempre foi de outra cor: azul turquesa. Mas nem todos viam! O Povo dos Olhos diziam: É azul, vejam? A lógica é outra, vocês não entendem? Mas realmente, eles pareciam não falar a mesma língua. Fingiam entender. Eram como que reis nus vestidos de discursos de poder não muito bem costurados. Ditos bondosos e orientados por uma pretensa cultura de benevolências, costumam se lembrar e permitir que usem a cor azul em setembro.
Mas aos olhos e corações dos seus verdadeiros moradores a casa sempre foi feita das nuances desse tom: azul turquesa, Azul Surdos!
Rio de Janeiro, 06 de
setembro de 2017.

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