quinta-feira, 19 de abril de 2018

# Das fronteiras


Certos caminhos na verdade não são caminhos:
são fronteiras esperando para serem atravessadas.
Esperam gente menos razoável que as compreendam
como passagem e não como trilha.

Mas quem haverá de ter coragem?
Quem passará por cima da linha fronteiriça
que transformaram em Percurso da Verdade
- sendo, em si, a mesmidade da
mediocridade e razoabilidade?

Quem ousará fugir da ordem do comum?

Quem passará para outra margem do rio que
tanto nos disseram ser instransponível?
Quem nos ensinará a cruzar os meios;
mesmo que seja a nado?

Quem seremos quando percebermos que as fronteiras
somos nós mesmos ratificando, em uma longa fileira, 
as promessas de um Eu que nunca fomos?

Quem seremos - perguntamos com medo - quando sairmos
dessa formação linear para, finalmente, nos sabermos parte
de toda desordem ao nosso redor?

Será que nos deixarão viver depois que nos atravessarmos
e entendermos que tudo é um grande acordo que não nos inclui?

Certos caminhos na verdade não são caminhos:
somos nós mesmos insistidos de razoabilidade.

Quem terá coragem de atravessar-se
a si mesmo e voltar para nos contar?! 🌈




Rio de Janeiro, 19 de abril de 2018.

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