Quando se apaixona muitas vezes o amor nada
mais tem a ver com os preconceitos e expectativas
que preestabelecem critérios de aparecia.
Amar se torna, então, algo em si.
A luminosidade do primeiro fogo a tudo embeleza.
Mas quando esse fogo se apaga leva parte de
sua força embelezadora consigo, se esvanece
tonando toda beleza inicial relativa.
Olhamos, olhamos e insistimos em olhar,
mas não está mais ali quem tanto nos tirava de nós.
Vemos e continuamos ali, pés no chão - os mesmos.
Esse é o instante exato no qual a beleza de
quem nos acompanha deve ser reaurorizada.
A forção do amor maduro tem mais a ver
com a des-cisão que atualiza a juntura
do que com a busca de um novo "mesmo" amor.
Descobrimos então que não é o nosso amor pelo
outro talvez o que faz a beleza existir mesmo depois
do fim da primeira paixão, mas sim a maneira
como nos percebemos quando vemos que o outro
ainda nos ama mesmo sem luminosidade, mesmo
sem fogo aparente que me faça mais belo.
Pra mim, que já amei muita gente, lugares e ideias,
encontrar uma forma pura de amor teve a ver
com de repente me perceber sendo amado
- sem precisar pedir, insistir ou luta pra isso.
Sendo amado em meio as sombras de uma paixão
que já havia partido - apagado, amadurecido em
temporalidades dessas que os relógios não medem.
Somos impelidos a manter relacionamentos pelo
quanto demonstramos continuarmos amando alguém.
Mas somos também esquecido que o único motivo
pra amar alguém é se saber amado por essa pessoa.
O amor tem mais a ver com uma beleza condicional.
Uma beleza que não é atribuída ao objeto que se ama
antes que se perceba sendo amado por ele.
Rio de Janeiro, 27 de abril de 2016.
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